O Caso Estranho de Baio-pai e Baio-filho

Spelunky é um dos jogos mais difíceis da década passada. Não sei, nunca joguei, mas já várias pessoas me deram o seu testemunho, e parece ser esse o consenso na internet; poucas pessoas no mundo conseguiram acabá-lo sequer.

No YOU die!

No YOU die!

Mas um miúdo de oito anos chegou ao nível mais difícil do jogo: para lá chegar o jogador tem que vencer o jogo (que é gerado de forma procedimental) 15 vezes e fazer com que o boss final se mate a si mesmo. E esse rapaz, que hoje terá dez anos, conseguiu fazer isso em 2012 por causa do seu pai. Andy Baio, em 2004, decidiu que o seu filho iria ser alvo de uma experiência no mínimo peculiar e responder à seguinte questão: “o que acontece quando uma criança do século 21 joga toda a História dos videojogos por ordem cronológica?”.

O senhor pôs o seu filho a jogar Pac-Man e outros jogos dos anos 80, quatro meses depois avançou para a NES, mais tarde avançou para a Nintendo 64, e assim sucessivamente, até chegar, ao fim de 4 anos à geração actual de jogos.

I know son, but you have to eat it all...

I know son, but you have to eat it all…

 

Como o subtítulo do artigo diz (“an experiment in forced nostalgia and questionable parenting”), e com razão, a experiência pode ser questionável de um ponto de vista de bom-senso, mas os resultados não deixam de ser interessantes. A criança nem tinha cinco anos e tinha acabado Mega Man 2 e Legend of Zelda, e à medida que foi crescendo foi se apaixonando por títulos como Ocarina of Time e Majora’s Mask e desenvolvendo em simultâneo um gosto por bom design de jogo.

Podem ler o artigo que ele publicou este mês aqui.

Crescer sem triple-As bonitos e ultra-realistas mas “vazios” não só tornou-o um amante de rogue-likes, como fez dele um jogador excelente, de longe melhor que o pai, conta o mesmo – e chegamos a 2012, o ano em que a criança derrota e domina Spelunky como um Ás – mas a parte interessante nem é essa: o Baio-filho tem hoje uma perspectiva única para a idade dele sobre o que é um bom videojogo, e o que não é.

O pai conta que o filho adora jogos como VVVVVV e FTL, que crianças da idade dele, que cresceram com Call of Duty e Assassin’s Creed, não conseguem apreciar nem nunca jogarão provavelmente na vida.

Eu gostava de entrar na cabeça desse miúdo e saber o que acha de diversos jogos que existiram e existem hoje; e não devo ser o único. Será que ele vê o universo dos videojogos com a mesma perspectiva que adultos com quatro vezes a sua idade, ou terá uma perspectiva única?

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Sobre Isaque Sanches

Isaque Sanches é louco. Essencialmente.

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