Antevisão a WARMACHINE: Tactics

XCOM: Enemy Unknown não reinventou a roda, mas fê-la voltar à moda: a roda é fixe outra vez, e os miúdos novos estão todos a usá-la.

Há três anos este género não existia no mercado, ninguém se lembrava sequer dele – tentaram transformar Syndicate e XCOM em First-Person Shooters (ninguém gostou da ideia), correu muito mal, tanto num caso como noutro; toda a gente achava o género antiquado e ninguém o levava a sério.

Ninguém, excepto os senhores da Firaxis; lançaram Enemy Unknown, reanimaram um estilo de jogo que estava cadavérico (não respirava há quase uma década!), e hoje temos tributos como Xenonauts, os Wastelands 2, Shadowrun Returns, e companhia, que desconstroem o “combate tático isométrico tipo xadrez” (como agora o chamo), para incorporá-lo na jogabilidade por turnos que tentam recapturar de jogos antigos.

Seria muito (muito) difícil Warmachine: Tactics existir hoje sem esta nova versão de XCOM; sente-se um pouco do seu DNA na jogabilidade e tudo. Mas há mais – este artigo está cheio de surpresas, caros leitores (a menos que tenham acabado de ler o artigo de Massive Chalice) – a Rubber Chicken recebeu Warmachine: Tactics e Massive Chalice em simultâneo para fazer antevisão, e pode-se dizer o mesmo dos dois. Fazem parte do mesmo espectro, mas estão em extremos opostos e, porque achámos esta coincidência interessante – e porque o renascimento de um género morto é um fenómeno raro (fenómeno sobrenatural, até) – decidimos armar-nos em Darwin e aproveitar a oportunidade para comparar os dois jogos.

Se tiverem curiosidade, está aqui o link para a Antevisão a Massive Chalice (Spoilers: é um artigo muito melhor que este).

Mergulhemos então em Warmachine: Tactics.

É uma adaptação do jogo de tabuleiro Warmachine, saído, como Massive Chalice, de um projecto de Kickstarter, e ao contrário deste, acabou de sair do Early Access do Steam, e é agora uma full-release, aparentemente. E digo “aparentemente” porque é uma situação misteriosa; como já leram acima, recebemos a título para antevisão, e a versão atual está longe de parecer sequer um produto final. Fui investigar à página do Steam, e descobri que os últimos comentários de jogadores em Early Access foram submetidos nem há um mês atrás. Mesmo que as personagens se mexessem nas cutscenes ou que a framerate estivesse estável, não sei dizer se seria (ou irá ser) uma boa compra para quem não conhece a franchise Warmachine – por um lado, o rótulo de “jogo completo” é um bocado sinistro, por outro, tudo indica que os criadores vão continuar a lançar updates, por outro ainda, os dois primeiros lados não interessam muito, porque aquilo que vi em termos de níveis, interface e jogabilidade não está muito forte.
Em vez de comprarem miniaturas e jogarem em cima de uma mesa, podem ligar o PC e jogar com pessoas do mundo inteiro; em teoria. Ou não há jogadores no multiplayer online de momento, ou os servidores nem estão a funcionar. Para além de skirmishes, há também uma campanha para jogar a solo, mas duvido que impressione muita gente; os níveis fazem sentido no papel, mas a execução não chega lá. O mesmo para as mecânicas: fazem sentido no papel, abstratamente, mas não as compreendo; por exemplo, sempre que seleciono uma unidade, tenho ou que escolher todas as suas acções, ou desativá-la durante o respetivo turno, não há opção para desselecioná-la e voltar a selecionar. Porquê? Erm… sei lá… para não misturar ações de unidades diferentes numa sequência? Não faço ideia porque não faz sentido nenhum, mas uma coisa sei: não é um sistema que veio do jogo de tabuleiro, nem é o resultado de um problema de adaptação, porque o jogo de tabuleiro não usa rato e teclado.

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O público-alvo para este estilo de adaptações costuma ser bastante numeroso, e pouco do que escrevi até agora lhes deve estar a interessar: portanto (agora olho só para eles), para não vos fazer perder tempo, sim, quando os problemas técnicos forem corrigidos, num mindset de versão digital de um jogo analógico, e só nesse mindset, sim (de novo) é capaz de valer a pena a compra. Para passar noitadas a jogar com os amigos, quando está frio e não se quer sair da casa, ou passar meia hora a posicionar miniaturas: sim, claro.

(Agora para toda a gente), patches não fazem milagres. Mesmo no estado actual, Warmachine é um testemunho da potência colossal do Unreal Engine 4, e onde os motores de jogos já chegaram em termos de computação gráfica – camera de XCOM roda de 90º em 90º graus, e Warmachine recusa-se a ser isométrico, e opta antes por dar absoluto controlo da câmara ao jogador; fui ver um vídeo de World in Conflict há uns dias, que têm um sistema semelhante para a câmara, e fiquei assustado: saiu há tão pouco tempo, 2007, e está tão velho. No que toca a motores gráficos, estamos condicionados para ter padrões de exigência extremos, e Warmachine pode não parecer nada de especial a quem está desatento; mas quem estiver vai reparar que esteja a ver todo o campo de batalha, esteja a fazer zoom in no braço de um soldado, as texturas têm sempre uma alta resolução. Mas dizia eu que patches não fazem milagres; por mais qualidade que tenham as texturas, mesmo que a câmara siga as unidades quase over-the-shoulder (à Enemy Unknown) de forma muito cinemática, por mais efeitos de partículas que lá tenham, o jogo será sempre feio.

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Quem não tiver ainda dado um salto à Antevisão de Massive Chalice vai ler mais ou menos o oposto do que aqui está.

O problema não é o setting – o universo Warmachine é steampunk (com um pequeno toque de fantasia); armas de fogo, espadas e lanças laser, magia, robots (acabei de descrever Star Wars, mas parece-se mais com o Senhor dos Anéis). É um bocado genérico mas tem uns twists aqui e ali que não o tornam aborrecido – mas dizia eu que não era o setting que era o problema: o mini-mapa é horrível, a interface não é intuitiva, as abreviaturas dos stats são siglas super-não-intuitivas (mas talvez culpe do jogo original disso); a interface é feia, para além de não ser intuitiva, e não é intuitiva (em parte) porque é feia.

Jogos táticos têm que ser complexos; mas jogos complexos não têm que ser obtusos.

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O jogo gira à volta de unidades robóticas chamadas “warjacks”; os warjacks são controlados por unidades “humanas” especiais, que têm habilidades mágicas. Jogar “bem” passa por saber equilibrar o uso dos dois tipos de unidade, e saber posicioná-los relativamente um ao outro.

Se não se tratasse de uma adaptação, diria que era plágino mecânico de XCOM: Enemy Within (expansão de Enemy Unknown), cuja variação de gameplay centra-se nisto: dois novos tipos de unidades, um (adivinhem) é um humanóide com super-poderes, e outro (adivinhem outra vez) é um mech gigante. Uma expansão é sempre uma “complicação” do jogo original, e Enemy Within, com dois “graus de complicação”, é mais simples de jogar, mas mais complexo que Warmachine: Tactics.

Como para todas as antevisões: só o tempo dirá.

Mas é possível que esta nova espécie de XCOM não sobreviva à Mãe-Natureza.

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Sobre Isaque Sanches

Isaque Sanches é louco. Essencialmente.

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